Crysis 3

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Quando Crysis foi lançado em 2007, foi acusado de ser nada mais do que uma demonstração técnica, um game que foi feito apenas com a intenção de mostrar do que as máquinas da época eram capazes de fazer, para ser um benchmark, e não para ser um bom game. Essas acusações, ao meu ver, caíram por terra assim que tive a oportunidade de rodá-lo (ou seja, quando comprei um pequeno reator nuclear) e constatar que de fato era um dos melhores jogos de tiro que já havia jogado. A combinação de poderes especiais, mapas bastante abertos e livres, e cenários visualmente deslumbrantes só não era tão divertida quanto Half-Life 2.

Crysis 2 veio então, em 2011, e a Crytek resolveu que iria mudar seu foco para os consoles. Lá tá vendendo mais, dizem. Então fizeram um shooter que não é ruim, mas não agradou aos fãs do original, com seus mapas radicalmente menores, sua linearidade e suas habilidades especiais simplificadas. Para piorar, ele podia ser o mais bonito game feito nos consoles, mas para o PC, ele era graficamente inferior em relação ao original. O descumprimento da promessa de que o game não seria um simples port de console e uma implementação porca de efeitos de DirectX 11 três meses depois do lançamento não fez muito bem à reputação da Crytek.

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Mas aqui está Crysis 3, e a Crytek resolveu que iria tornar a lenda do “Mas essa máquina roda Crysis?” verdadeira novamente. Vamos logo ao que interessa: se o objetivo era fazer um game que superasse o primeiro Crysis no quesito gráfico, eles conseguiram com louvores. Crysis 3 é facilmente o game com maior primor técnico já lançado. Sua renderização da cidade de Nova York tomada por vegetação é fotorrealista. As animações faciais são perfeitas, a distância de desenho é gigantesca, todos os efeitos mais avançados que as placas de vídeo mais modernas são capazes de produzir em tempo real estão aqui. Infelizmente, aquela acusação de ser uma demonstração técnica acaba se aplicando bem mais ao final da trilogia, pois a jogabilidade em si não acompanhou o avanço gráfico.

E a história também não. Ela nunca foi muito boa, mas aqui ela se força de maneiras que chegam a incomodar. Algum tempo depois dos eventos do segundo game, onde o soldado Alcatraz conseguiu derrotar a invasão alienígena dos Ceph e depois teve sua identidade substituída pela de Prophet, líder do esquadrão do primeiro game, a corporação CELL de alguma maneira conseguiu tomar o controle da cidade de Nova York por ser a única que fornecia energia. Ela então envolveu toda a cidade numa redoma gigante (tipo a do filme dos Simpsons) e suspeita-se que a energia que ela produz envolve tecnologia Ceph.

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Uma revolução então é montada por Psycho, protagonista de Crysis Warhead, e começa com ele resgatando Prophet das mãos da corporação. Prophet, por outro lado, anda tendo visões de um tal “Alpha Ceph”, que supostamente ainda está vivo e irá destruir o mundo e Prophet é “o único que pode derrotá-lo”™. Ninguém o leva a sério, mas obviamente ele está certo e logo o mundo estará à beira da destruição.

Tá, não parece tão ruim para um jogo que é o equivalente a um filme de ação do Michael Bay. Mas Psycho, cara. O que fizeram com ele? Ele deixou de ser o único personagem dessa zona toda que causava algum tipo de simpatia pra transformá-lo em mais um herói de ação rancoroso pelo que fizeram com ele no passado, já que agora ele não tem mais a Nanosuit. Ele também é a muleta da história para trazer uma discussão sobre o que é “ser humano”, e cenas com esse dilema tomam longas cenas que podiam ter sido melhor aproveitadas com tiros nas caras de alienígenas feios. Os outros personagens são todos completamente esquecíveis, a moça que é interesse romântico de Psycho e o traíra óbvio, Karl Ernst Rasch (que ainda por cima é alemão).

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A jogabilidade tenta fazer um bem bolado das melhores coisas dos dois primeiros games, uma síntese, um meio termo entre os mapas mais abertos de Crysis e a linearidade de Crysis 2. Infelizmente, os mapas ainda são menores do que os do Crysis original, e o ritmo vindo do segundo game torna os encontros de inimigos mais chatos do que deveriam ser. No geral, você andará por um caminho grande, porém linear, até encontrar um campo mais aberto que sempre tem por volta de dez soldados, humanos ou Ceph. Assim como nos games anteriores, você pode usar a camuflagem de Predador para matar os inimigos na surdina ou passar por eles despercebido, ou você pode ligar o modo de armadura e sair metendo bala neles.

Para aqueles que sempre preferem o modo stalker, como eu, uma nova arma foi adicionada: o arco. (Me pergunto o que acontece na indústria de games que faz todos os jogos quererem ter um arco e flechas. Todo mundo assistiu Rambo de novo ao mesmo tempo?) O arco tem quatro tipos de flechas diferentes, incluindo flechas elétricas e flechas explosivas, que podem ser atiradas sem quebrar a camuflagem ou gastar energia extra. Não gastar energia extra torna o arco desbalanceado. É muito fácil simplesmente ficar camuflado, matar um ou outro soldado que entrar muito no seu caminho e simplesmente passar desapercebido. Na maior parte dos encontros, você vai começar sendo cauteloso, até se encher de ficar andando agachado, levantar as armas e metralhar todos os soldados.

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Algumas coisas foram adicionadas, como a habilidade de hackear torres de defesa automáticas para que elas ataquem os inimigos, que oferecem uma vantagem tática. Outras pequenas falhas de Crysis 2 também foram corrigidas. O botão de correr não precisa mais gastar energia, te dando uma chance de sair de alguma zona de perigo rapidamente mesmo sob fogo contínuo. O sistema de upgrade foi alterado para favorecer exploração dos mapas, com alguns itens que te dão pontos para gastar em habilidades extras, como maior tempo de camuflagem ou armadura pesada que resiste a mais dano, e estes podem ter mais um upgrade com o uso, como os perks em Call of Duty.

Infelizmente, de fato, nada disso ajuda no ritmo dos combates, que continuam no esquema do Crysis 2, de “bolhas de ação” (parte do cenário não tem nada, uma parte maior tem múltiplos inimigos), que acaba tornando o jogo monótono em certas partes. O uso da camuflagem não é sempre bem aproveitado, pois a inteligência artificial inimiga imediatamente faz todos os soldados saberem sua posição quando você é visto. Eles também têm sérias tendências a correr de cara na parede, ou de ficarem parados em um só lugar trocando tiro, ou de não desviarem de explosivos. Os cenários são bonitos em si, mas a variação prometida pelas campanhas de marketing da Crytek não está aqui. É mato alto, pântano, mato alto, pântano, caverna. Boa parte do game também se passa em lugares escuros que não utilizam a maravilha gráfica do game em todo o seu potencial.

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Em termos de performance, Crysis 3 é bem customizável. No meu combo i7 920 + GTX 580, consigo entre 20 e 30 frames com tudo no máximo, mas se eu não fosse tão exigente, baixar tudo pro nível High (que ainda detona todos os outros games no mercado) me dá 50-60 frames bem estáveis. Para ligar tudo no máximo, uma máquina potente é necessária, de preferência uma da série 600 da NVidia.

Mas Crysis 3 infelizmente não consegue escapar da sensação de que a Crytek se esforçou em ferver o hardware atual e esqueceu do game. Ele também consegue o feito de ser o game mais curto da trilogia. Terminei em 4 horas, isso porque eu prefiro o caminho do ninja. Alguém com menos paciência pode terminar o jogo ainda mais rápido matando tudo que vê na frente. Se você tem uma máquina poderosa, não posso deixar de recomendar Crysis 3 pelo espetáculo visual. Mas se procura uma experiência de tiro mais inteligente, recomendo instalar o primeiro game novamente.

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