Far Cry 3: Blood Dragon

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Em que época bizarra estamos vivendo hoje em dia, não? A década de 2010 (e até certo ponto a de 2000 também) é um tempo que não tem nenhuma identidade cultural. Até mesmo a década de 90, insossa como foi, tinha seus ídolos e suas características. Hoje em dia a molecada tem que vestir o suéter do avô e dizer que é “vintage”. E juntamente com essa falta de identidade, também vêm as “homenagens”.

Se o primeiro trailer de Blood Dragon intrigou, é porque pegou a todos de surpresa: uma pequena expansão do Far Cry 3, mas não tem nenhum dos personagens do original, nem a mesma ilha. Agora podemos dizer com certeza o que Blood Dragon é: é um quarto do mapa do Far Cry 3 original copiado e colado com um tema por cima. Esse tema é a década de 80, mais especificamente o cinema daquela época. Dito isso, posso afirmar àqueles que gostaram de Far Cry 3, aqui tem mais do mesmo. Mais 13 bases inimigas pra tomar, sete missões de história e uma penca de trequinhos pra correr pela ilha colecionando. À quem gostou de Far Cry 3, não tem muito erro.

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Você controla o Sargento Rex Power Colt, um supersoldado cibernético, cuja voz é dublada por Michael Biehn, o Sgt. Hicks de Aliens. Na primeira missão, você desce com seu companheiro Spider com um helicóptero e uma metralhadora de seis canos, destruindo tudo Rambo-style. Spider morre durante a missão, você jura vingança, e assiste às cenas de maior farofa anos 80 que imaginaram pra um game. Mas no caso de Blood Dragon, não é a história que importa, e sim o tema.

Tudo em Blood Dragon é feito para evocar o cinema dos anos 80. Os diálogos são todos cheios da pura macheza de filmes como Stallone Cobra, a trilha sonora é cheia dos sintetizadores e tecladinhos estilo John Carpenter, os gráficos são todos filtrados com luzes neon bem fortes e cores berrantes, e efeitos de fita VHS amassada cobrem a tela quando explosões acontecem, além dos itens colecionáveis serem fitas VHS e televisões antigas.

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Opa, mas eu disse que a história não importa? Não é bem assim. Infelizmente, se há uma crítica a se fazer sobre Blood Dragon, é que o tema sozinho não consegue carregar o game até sua conclusão, pois a história é embaraçosamente ruim. Sim, você pode dizer que estão apenas tirando sarro das coisas do cinema de ação dos anos 80, mas o desfile de supersoldados cyborgs, cientistas malucos, uma cena de sexo ridícula perto do final, e uma luta de chefão final que nunca acontece não tiram a sensação de preguiça (ou deadline próximo) dos desenvolvedores. Para ilustrar esse ponto, nada melhor do que a sequência de tutorial do game, que tenta zoar com os tutoriais inescapáveis dos jogos de hoje em dia… sendo mais um tutorial inescapável. Assim, é como se fizessem um negócio ruim, e para se salvar da crítica, apontam a si mesmos e dizem “OLHA COMO É RUIM!” e riem.

Isso não quer dizer que o jogo não tenha nada de bom, mas o tema é a única diferença do jogo original. A jogabilidade é exatamente a mesma, com alguns cortes, devido à vontade dos desenvolvedores de criar uma experiência mais linear (leia-se: sérias restrições orçamentárias). As cinquenta armas disponíveis no original? São apenas sete agora. As habilidades, nas quais você podia distribuir pontos, agora são ganhas a cada nível, sem você poder escolher. Os animais que você podia caçar pra aumentar as capacidades de carregar munição, armadura e tudo mais… bem, os animais ainda estão aqui, mas são apenas bichos que enchem o saco, sem utilidade alguma.

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A única real adição à jogabilidade são os Blood Dragons. São lagartões enormes e cegos que atiram lasers pela boca e podem te matar rapidamente no começo do game, mas seu real propósito é servir como limpador de base inimiga. Você pode coletar os corações cibernéticos dos soldados que você mata, e os Blood Dragons são atraídos a esses corações. Desligando os mega-escudos das bases, você pode atrair um dragão pra dentro e deixar ele matar todo mundo sozinho, o que torna o jogo fácil demais.

Pegar os colecionáveis também destranca upgrades pra algumas de suas armas, mas é o máximo que eles fazem. E assim como no Far Cry 3 original, você não mata nenhum dos chefes pessoalmente, todos morrem em cutscenes ou fora de câmera, o que não deixa de ser frustrante. Se é pra zoar, deviam ter feito uma batalha épica com você e o chefão montados em dragões atirando lasers um no outro, mas não. A zoeira foi de leve nesse.

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Vale a pena jogar? Até vale. Mas não espere muito. Ele é baratinho por um motivo, é apenas um pequeno pedaço de Far Cry 3 pra quem não enjoou dele ainda.

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