Porque Street Fighter V não vale seu dinheiro (neste momento)

Quem me conhece sabe que sou fã de jogos de luta, e, portanto, sabe que eu aguardava ansiosamente pelo lançamento de Street Fighter V em fevereiro. Pelo título deste post, provavelmente também já se deram conta de que fiquei um tanto quanto decepcionado com o lançamento.

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Street Fighter IV é, possivelmente, o melhor jogo de luta que existe. Ele trouxe de volta a jogabilidade clássica dos games da era do Super Nintendo com uma nova roupagem e era simples o suficiente para iniciantes pegarem e se divertirem, e complexo o suficiente para os jogadores de campeonato e pessoal mais aficionado aprender a fazer técnicas incríveis. Trouxe de volta todos os oito personagens originais do SFII, bem como os chefões e os personagens introduzidos no Super Street Fighter II (incluindo a Cammy, minha eterna favorita). A versão mais recente de SFIV, Ultra Street Fighter IV, tem um grande total de 39 personagens. Mortal Kombat X, lançado ano passado, tem 29 personagens e cada um tem três variações que mudam bastante o estilo de luta deles. É um pouco estranho ver um jogo de luta novo lançado em pleno 2016 com apenas 16 lutadores, como é o caso de Street Fighter V.

Mas não é tudo horrível. Apesar de tudo que já disse (e que ainda direi), SFV não é terrível. Uma das coisas boas que a Capcom está tentando fazer com o jogo novo é deixá-lo mais acessível, então os links de um frame ou os especiais supercomplicados de executar estão de fora agora. Ligar combos longos ficou muito mais simples devido ao timing mais relaxado dos movimentos, e o Focus Attack deixa de existir para dar lugar ao V-Trigger, uma fonte especial que altera as propriedades dos movimentos especiais, com efeitos diferentes dependendo de cada personagem. Isso permitiu a mim, reles mortal, aprender a fazer algumas coisas muito legais com a Cammy, e me diverti fazendo.

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Por enquanto, a parte ruim seria perdoável, não fosse a falta de conteúdo de Street Fighter V. O jogo é praticamente uma versão beta que cobra 90 reais. Ele tem um modo “História”, porém este é composto de três lutas de um round só para cada personagem, nas quais você não pode nem selecionar a dificuldade. As cenas entre lutas são desenhadas a mão e estáticas, com um voiceover por cima, como se a Capcom estivesse com preguiça de animar personagens e decidisse usar os storyboards no modo História assim mesmo. Depois do excelente modo História do Mortal Kombat e de Injustice: Gods Among Us, é uma vergonha. No entanto, já sabemos que a Capcom pretende lançar um update gratuito com um modo História completo em meados de junho ou julho, e o Street Fighter IV também não tinha um modo assim, então dá pra deixar passar.

O que não dá pra deixar passar é a falta do modo Arcade. Sabe, aquele modo que todo jogo de luta tem, uma série de lutas em sequência contra o computador? Você imagina que um jogo de luta em pleno 2016 vai ter no mínimo o básico de qualquer jogo de luta, certo? Errado. SFV não tem um modo Arcade, e também não permite que você jogue contra o computador no formato padrão de dois rounds. Isso é um absurdo tão grande que não tenho nem palavras para descrever. Você paga 90 reais (no caso da versão de PC, claro. Espere pagar por volta de 200 na versão de PS4) por um jogo que não tem um modo que existe desde o Street Fighter II! QUE FOI LANÇADO EM 1991! A única forma de você jogar contra o computador é através do modo História ou do modo Survival, onde você precisa escolher entre vencer 15, 30, 50 ou 100 lutas seguidas com a mesma barra de vida, comprando upgrades com pontos entre as partidas. Eu disse que as lutas são de um round só e que, novamente, você não pode selecionar a dificuldade? Pois é.

"Story". HÁ! Devia se chamar "Joke"

“Story”. HÁ! Devia se chamar “Joke”

Aí você vem e me diz “Porra, Renato. Jogo de luta é pra se jogar online, contra outras pessoas! Você é que tá com expectativas erradas!” Bem, pode-se dizer isso. Porém, conforme expliquei em outro texto, o multiplayer online tem vários problemas que não consigo ignorar, e no caso de jogos de luta, existe um problema que se torna ainda mais grave: o lag. Não joguei Street Fighter V online, porém, minha experiência com a versão de PS4 do Mortal Kombat X me diz que mesmo que você consiga estabelecer uma conexão firme, seus personagens vão responder aos seus comandos aproximadamente um segundo depois de você apertar os botões, o que é terrível quando se trata de um jogo tão rápido quanto Street Fighter, ou qualquer jogo de luta. Então, se você consegue tolerar essa diferença no tempo, o modo online pode funcionar pra você, mas pra mim, o treino contra o computador é indispensável.

O plano da Capcom, pelo que parece, era lançar o jogo rapidamente, em tempo para a temporada de campeonatos, incluindo a EVO 2016 (que é como a Copa do Mundo de jogos de luta, para os leigos), para que os jogadores profissionais já treinem bem e façam o nome do jogo. Porém, ainda me lembro de um tempo no qual jogos tinham que ser lançados completos. Da maneira que está, prefiro jogar meu velho cartucho do Super Street Fighter II no meu SNES e esquecer que o V existe por alguns meses, até os updates saírem.

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